O HIV é o agente etiológico da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), em seres humanos. A infecção pelo HIV resulta na doença crônica e progressiva, que pode levar á destruição do sistema imunológico. A evolução da doença se caracteriza por uma elevada taxa de replicação viral, que resulta na emergência de variantes virais mais virulentas. A infecção pelo HIV é, atualmente, delineada pela contagem do número de linfócitos T CD4, pela quantidade de partículas virais no sangue (carga viral) e pelos sintomas clínicos. Nem todas as pessoas apresentam todos os estágios da doença, e o tempo entre a infecção e a manifestação dos diferentes quadros clínicos pode variar muito, dependendo do individuo. Até o momento, já foram descritos dois tipos de vírus HIV-1 e HIV-2.
Os HIVs são classificados na família Retroviridae, gênero Lentivirus, através de estudos sorológicos, evidenciaram-se, ate o momento, dois tipos antigênicos: HIV-1 e HIV-2. O HIV-1 é o tipo mais virulento e mais disseminado pelo mundo, já o HIV-2 parece ser menos patogênico e é encontrado, quase que exclusivamente, no oeste da África. O HIV-1 apresenta elevada taxa de mutação e para descrever essa variabilidade genética usa-se o conceito de quasispecies, no qual o HIV é considerado como subpopulação de vírus e não um genoma único. Em um mesmo individuo, a variabilidade do HIV está em torno de 6%, podendo chegar a 50% entre indivíduos de regiões geográficas diferentes. Para diferenciar as variantes genéticas do HIV-1, realizam-se analises filogenética, onde se estudam a sequencia do genoma viral, principalmente as regiões codificadas pelos genes env e gag. Dessa maneira, os HIV-1 são classificados em três grupos: M (major), O (outlier) e N (nem M, nem O). No grupo M, está classificada a maioria dos HIV-1, havendo onze subtipos (A até K), que divergem entre si em torno de 30%, na região do envelope viral. O grupo O possui apenas um subtipo que representa 5% dos casos de HIV encontrados na República de Camarões, Gabão e Nova Guiné, e diverge em 50% das outras amostras do grupo M. O grupo N só foi descrito, até o momento, na República de Camarões. Em relação ao HIV-2, existem cinco subtipos (A-E). Atualmente, ainda se discute o significado biológico desses subtipos em termos de transmissão e patogenicidade.
Transmissão
A capacidade de o HIV infectar um individuo depende de alguns fatores, chamados fatores de risco, que são dependentes de características biológicas e comportamentais. Existem vários fatores biológicos associados com a transmissão do HIV, tais como: concentração do HIV no fluido biológico, integridade e vulnerabilidade da mucosa envolvida (mucosa anal, vaginal ou oral), duração de exposição e amostra viral transmitida. Os fatores comportamentais são diretamente relacionados aos fatores biológicos e podem ser exemplificados: indivíduo com múltiplos parceiros sexuais, o uso de drogas ou compartilhamento de seringas contaminadas. As principais formas de transmissão são: sexual, sanguínea (em receptores de sangue ou hemoderivados e em usuários de drogas injetáveis) e vertical, onde a mãe pode transmitir o vírus para o filho durante a gestação (infecção congênita), parto (infecção perinatal) ou aleitamento (infecção pós-natal). Também pode ocorrer a transmissão ocupacional, como acidente de trabalho, em profissionais da área da saúde que sofrem ferimentos com instrumentos perfuro-cortantes ou sofrem exposição de mucosas com sangue contaminado. A taxa de contaminação de profissional é de 0,3%. Embora o vírus tenha sido isolado de vários fluidos corporais, como saliva, urina, lágrimas e suor, somente o contato com sangue, sêmen, secreções vaginais e/ou cervicais e o leite materno têm sido implicados como fontes de infecção. Até o momento, não há relato de infecção pelo HIV adquirida por contato casual, picada de inseto, objetos contaminados e instalações sanitárias, não havendo justificativa para restringir a participação de indivíduos infectados nos seus ambientes domésticos, sociais e profissionais.
Referência:
SANTOS, N. S. O.; ROMANOS, M. T. V.; WIGG, M. D. Introdução à Virologia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2002.
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