quarta-feira, 13 de novembro de 2019
Manifestação Clínica
A infecção pelo HIV pode ser dividida nos seguintes estágios: infecção aguda; fase assintomática ou latência clínica; fase sintomática inicial; fase sintomática intermediária; fase sintomática tardia e infecção avançada. Na infecção aguda ou primária, os sintomas aparecem durante o pico de viremia e da resposta imunológica. As manifestações clínicas variam desde um quadro de gripe até sintomas semelhantes à infecção pelo vírus da mononucleose infecciosa. Além dos sintomas virais como febre, adenopatia, faringite, mialgia, artralgia, exantema, cefaleia, hepatoesplenomegalia, pedra de peso, náuseas e vômito, os pacientes podem apresentar candidíase oral, neuropatia periférica, meningoencefalite e síndrome de Guillain-Barré. Após a fase aguda, ocorre estabilização da viremia em níveis variados (set point), definidos pela velocidade de replicação e diminuição da quantidade de vírus (viral clearance). O set point é utilizado como fator prognóstico de evolução da doença. Da mesma forma, a queda na contagem de linfócito T CD4, de 30 a 90 células por ano, está diretamente relacionada à replicação viral e progressão da doença. Na fase assintomática, normalmente não existem sinais clínicos. Alguns pacientes podem apresentar uma linfadenopatia generalizada persistente em sítios não inguinais. Embora esse estágio seja chamado de assintomático, ocorre replicação viral contínua, e debilitação progressiva do sistema imunológico, com transmissão do vírus. Na fase sintomática inicial, os sintomas podem variar e incluem febre, sudorese noturna, que é uma queixa bastante comum, cefaleia, mal estar, fadiga, diarreia e perda de peso. Linfadenopatia persistente generalizada pode estar presente e várias condições dermatológicas podem ocorrer como: herpes zoster, herpes simples recorrente, leucoplasia pilosa oral, dermatite seborreica, infecções bacterianas, como tuberculose, e foliculite. Os pacientes que apresentam a contagem de linfócito T CD4 superior a 500 células/mm3 têm menos de 5% de chance de evoluir para AIDS nos próximos 18-24 meses. A fase sintomática intermediária caracteriza-se pela contagem de linfócitos T CD4 que se situam entre 200 e 500 células/mm3 e pelos mesmos sintomas da fase anterior, que podem piorar nesse estágio. Além disso, podem ocorrer, também, candidíase oral ou genital, sinusite, bronquite e pneumonia. Os pacientes na fase sintomática tardia da doença, com contagem entre 50 e 200 células/mm3, enquadram-se na “definição de AIDS”, embora seja difícil estabelecer esse parâmetro depois da introdução da terapia anti-retroviral. Nesta fase, os pacientes aprensetam grande risco de contrair pneumonia por Pneumocystis carinii, criptosporidíase, encefalite por Toxoplasma gondii e candidíase esofágica. Os indivíduos com menos de 50 células/mm3 situam-se na fase avançada da doença, em que todas as prévias condições acontecem com novas e graves infecções oportunistas. Existe um elevado risco de surgimento de citomegalovirose disseminada, sarcoma edKaposi, que se manifesta na pele e trato gastrointestinal, linfoma não Hogkin e infecção por micobactéria atípicas. Outros sintomas, geralmente, pioram, e podem ocorrer acentuada perda de peso e complicações neurológicas. As infecções oportunistas associadas à AIDS podem ser causadas por vírus, bactérias, protozoários ou fungo, podendo ser detectado também o aparecimento de certas neoplasias.
Referência: SANTOS, N. S. O.; ROMANOS, M. T. V.; WIGG, M. D. Introdução à Virologia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2002.
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