sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Diagnóstico Laboratorial 


Os testes laboratoriais para detecção de infecção pelo HIV são realizados, basicamente, por três razões: identificar pacientes com infecção, para aplicação do tratamento com antirretrovirais; identificar portadores (nos casos de doadores de sangue ou de órgãos, gestantes e parceiros sexuais); e confirma o diagnostico de AIDS. Os testes podem ser divididos em quatro grupos: detecção de anticorpos; detecção de antígenos; cultura viral; e amplificação do genoma do vírus (carga viral). Na triagem inicial, a detecção de anticorpos contra o vírus apresenta excelentes resultados e é menos dispendiosa. Porém, os testes utilizados são incapazes de identificar pessoas infectadas recentemente devido ao que se chama janela imunológica, que é o período em que o indivíduo já está infectado, mas a quantidade de anticorpos está no limite de detecção do teste imunoenzimático empregado. Enquanto os testes sorológicos detectam a resposta do hospedeiro contra o vírus, as outras técnicas detectam o vírus ou seus antígenos. A detecção do antígeno p24, da partícula viral, da transcriptase reversa ou RNA viral também indica a presença de infecção. Essas técnicas são menos utilizadas rotineiramente, sendo aplicadas em situações específicas, tais como: exames sorológicos indeterminados ou duvidosos, acompanhamento de pacientes e avaliação da carga viral durante o tratamento com antirretrovirais. A análise quantitativa direta da carga viral é realizada através de técnicas baseadas na amplificação do ácido nucleico viral, tais como a reação em cadeia de polimerase (PCR) quantitativa, e amplificação DNA em cadeia ramificada e amplificação sequencial do ácido nucleico. A carga viral apresentada pelo indivíduo pode ser utilizada como valor prognóstico da evolução da doença. O isolamento do vírus é realizado somente em laboratórios especializados, com nível de contenção 3, a partir de células mononucleares do sangue periférico que são cultivadas com linfócitos de indivíduos normais artificialmente em laboratório. A presença de vírus é relevada pela detecção de transcriptase reversa, formação de células gisgantes ou antígeno p24, através do teste de ELISA. Um importante parâmetro também a ser avaliado é o estabelecimento da taxa de linfócito CD4+ e CD8+, que está enormemente diminuída em pessoas com manifestação clínicas da AIDS. A contagem de células T CD4+ no sangue periférico tem implicações prognósticas na evolução da infecção pelo HIV.

 Tratamento

As drogas antirretrovirais aprovadas podem ser classificadas em: inibidores análogos nucleosídicos da transcriptase reversa, inibidores não nucleosídicos da transcriptase reversa e inibidores da protease. Um coquetel de várias drogas antivirais é, atualmente, preconizado com o intuito de diminuir a seleção de mutantes resistentes, por atacar o ciclo de replicação viral em diferentes estágios. Os análogos nucleosídicos são fosforilados por enzimas celulares, incorporados no DNA proviral e provocam o término da cadeia. Os inibidores não nucleosídicos da transcriptase reversa apresentam outro mecanismo de inibição, ligando-se a um local próximo ao sítio ativo da enzima. Os inibidores da protease bloqueiam a clivagem proteolítica das poliproteínas precursoras gag e gag-pol, o que faz com que a partícula viral seja liberada na forma imatura e não infecciosa. O tratamento com múltiplas drogas reduz a carga viral para quase zero, fazendo com que haja diminuição da morbidade e mortalidade em pacientes infectados.

Referência:

 SANTOS, N. S. O.; ROMANOS, M. T. V.; WIGG, M. D. Introdução à Virologia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2002. 

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