A dengue é uma doença que pode surgir sob a forma epidêmica, ou manter-se nas comunidades como uma endemia, fazendo-se a transmissão pela picada do mosquito Aedes aegypti. O agente etiológico da dengue pertence à família Flaviviridae, gênero Flavivírus, conhecendo-se quatro sorotipos do vírus, tipos 1, 2, 3 e 4. A partícula viral, medindo de 40 a 60 nm de diâmetro, possui um capsídeo proteico, com simetria icosaédrica, envolvido por um envelope lipídico onde estão inseridas pequenas proteínas de membrana e espículas de natureza glicoproteica.
Epidemiologia
Já no início do século XIX foram descritas epidemias de dengue na região do Caribe e nos Estados Unidos. Neste último país conhecem-se vários surtos entre 1920 e 1950, sendo responsáveis os tipos de vírus 1, 2 e 3. Em 1979 foi isolado o tipo 4 de vírus da dengue numa epidemia em Tahili e Moorea. Da forma hemorrágica da doença existem os informes de 1927 e 1928 das epidemias de Durban e Atenas, respectivamente, em que o tipo 1 de vírus foi responsável e os dados da epidemia de Manila de 1956, com isolamento dos vírus dos tipos 2, 3 e 4 de pacientes e de mosquitos A. aegypti. Mais recentemente, em 1983, ocorreu em cuba uma extensa epidemia de dengue, onde parece ter sido possível comprovar que os casos hemorrágicos, descritos na população infantil, foram consequência de infecções sequenciais. Em março de 1986 iniciou-se uma ampla epidemia, no Rio de Janeiro, tendo descritos cerca de 2 milhões de casos; em maio do mesmo ano, começaram a ser descritos casos de dengue em Alagoas, estendendo-se a Fortaleza, em agosto, e a Pernambuco, pelo final do ano. A participação do mosquito A. aegypti foi perfeitamente caracterizada durante a epidemia, havendo suspeitas, não confirmadas, do envolvimento do mosquito A. albopictus. O vírus isolado foi caracterizado como pertence ao tipo 1. Houve somente dois casos de morte com choque hemorrágico, um no Rio de Janeiro e outro em Alagoas. Em 1990 surgiram vários casos de dengue no estado de São Paulo.
Referência:
SANTOS, N. S. O.; ROMANOS, M. T. V.; WIGG, M. D. Introdução à Virologia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2002.
TRABULSI, L. R. et al. MICROBIOLOGIA. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2002.
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